Habitada inicialmente pelos fenícios, que não deixaram qualquer vestígio material, Cacela foi povoação de grande importância durante a passagem dos Romanos. Aqui foram encontrados, desse período, tanques, fustes de colunas, mármores, etc. Mas a presença humana na freguesia remonta a muitos séculos antes. Em 1240, foi Cacela tomada aos mouros, por D. Sancho II, que a doou à ordem de Santiago com o seu castelo. As escaramuças sucederam-se e os mouros voltaram a conquistar a povoação, que passaria definitivamente para a mão dos portugueses dois anos depois, sob o comando de D. Paio Pires Correia. Já então Cacela era um lugar muito desenvolvido. É uma das sete vilas do Algarve cujo castelo figura no escudo nacional.
D. Dinis, em 17 de julho de 1283, concedeu foral a Cacela e elevou-a à categoria de concelho. O seu termo estendia-se até à parte terminal do rio Guadiana. A ordem de Santiago desenvolveu neste aspeto papel de grande importância, na colonização e defesa de todo o território. A decadência de Cacela como vila e concelho iniciou-se sensivelmente a partir do século XVIII, com os grandes terramotos de 1755 e 1807 e as ações de pirataria que muita destruição causaram. A partir da construção da estrada entre Vila Real de Santo António e Sagres e da construção da linha férrea, os principais interesses da freguesia passaram a movimentar-se entre os sítios da Venda Nova e do Buraco, onde se encontrava a maior parte da população. Em 1927, em consequência de toda esta situação, a sede da freguesia passava para aqueles lugares, denominado-se a freguesia, a partir daí, Vila Nova de Cacela. Do património cultural de Cacela, o destaque maior vai evidentemente para a sua fortaleza. Foi mandada construir em 1770 por D. Rodrigo de Noronha, que na altura era governador do reino do Algarve. Só foi terminada com D. Maria II, em 1794. A igreja matriz, consagrada a Nossa Senhora da Assunção, foi reconstruída depois do grande terramoto de 1755.
